segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

The Town

A maior surpresa do ano, sem dúvida alguma. Descobrimos, boquiabertos, que Ben Affleck é bom diretor. “The Town” tem como principal destaque fotografia e direção, que dão ao filme o ritmo e a tonalidade certos. A cena das “Freiras” é uma das mais majestosas do ano de 2010, lembrando por acidente a enfermeira de Heath Legder em “Cavaleiro das Trevas”. O roteiro funciona, mas poderia ser bem melhor.

O personagem de Affleck é o melhor desenvolvido, obviamente é também o mais vendável, o típico bandido com alma de mocinho, o que acaba por dar certo. Contudo, Jeremy Renner, que vem mostrando cada vez mais competência, tornou seu personagem tão interessante, que sentimos a sua falta sempre que não está na tela. Um personagem forte e bem interpretado que foi mais explorado. Blake Lively funciona através de uma atuação brega, perfeita para a sua personagem. A sempre talentosa Rebecca Hall é brilhante, é ela que todos querem ver na tela. Hall cativa sem ser vulgar.

O filme é cheio dos ingredientes típicos das grandes produções americanas, contudo difere de todas em sua execução. Um filme de fato a cima da média que nos leva a querer que Affleck dedique mais tempo a direção e menos a atuação. Já que ele tem talento, que caia de cabeça.

domingo, 21 de novembro de 2010

Reliquias da Morte - Parte 1

Por que “Harry Potter e as Reliquias da Morte – Parte 1” é o melhor filme da saga Potter? Fácil responder. É de todos, o mais fiel a saga e o que melhor faz a leitura do livro para o cinema. Na questão do roteiro, os erros de “As Relíquias da Morte” estão nos filmes anteriores. O mais evidente é a morte de Dobby, que durante toda a saga tem grande importância, sempre auxiliando Potter e nos filmes apenas aparece na “Câmara Secreta”. Para quem nunca leu os livros a morte de Dobby não surtiu efeito algum, isso porque ao longo da saga insistiram em cortar ou modificar coisas importantes. Mas enfim, deixando o lado pottermaniaco de lado, vamos falar de cinema.

O destaque do enredo está na forma como são tratados os três protagonistas. Finalmente temos a dimensão de suas personalidades, com diálogos e situações bem elaboradas e executadas com maestria pelo diretor e pelos atores, o trio vai além das expectativas, por conta dos personagens e de seus intérpretes. Emma Watson mostra o quanto está madura, revelando o grande potencial para ser uma grande diva do cinema, se inserida no papéis certos. Radcliffe não surpreende, mas cumpre bem o seu papel. Quanto a Rupert Grint, parece que finalmente encontrou o tom de seu Ronald Weasley, além de ter ganho importância e cenas a altura. Roteirista e diretor enxergaram o seu potencial e extraíram seu melhor. Poderia inclusive render uma indicação a academia, quem sabe, sonhar nunca é demais.

O elenco coadjuvante brilha como já é recorrente. Bonham Carter, Rickman, Fiennes, Isaacs e Walters arrasam, tornando seus personagens e únicos e absurdamente fiéis a seus originais das páginas de Rowling, talvez até melhores.

A já citada direção cumpre muito bem o seu papel. Vemos um Yates mais maduro e sensato que nas outras partes da saga dirigidas por ele. As cenas de suspense são um show a parte, as cenas de Godric’s Hollow e da casa dos Malfoy são primorosas. Montagem e fotografia são dignas de destaque. Já a trilha sonora, pela primeira vez passa batida, nem fede e nem cheira. Direção de arte e figurino sempre belos, como em toda a saga.

O grande problema do filme esta no ritmo, que em sua desconexão poderia fazer os mais leigos quanto a saga perderem-se. E é ai que o filme perde toda a sua força e de uma obra-prima torna-se apenas um bom filme.

Há de lembrar-se também da excelente escolha de locações, principalmente nas cenas de florestas, lugares belíssimos, mágicos e ao mesmo tempo reais. Uma grande ironia, diga-se de passagem. Outro grande elogio vai para a cena da história das relíquias. A animação foi sensacional e serviu para descansar os olhos de toda a escuridão da fotografia.

Pela primeira vez um filme da saga Potter agrada fãs e cinéfilos. Melhor ainda, dá um imenso gosto de quero mais, deixando claro que esse é mais do que tudo, um filme de preparação. Que a Parte 2 venha logo, pois já estamos todos esperando. Enquanto isso, acho que vou reler a saga.

sábado, 13 de novembro de 2010

Previa - Sandro Awards 2011 (Atualizado)

No inicio de 2010 fiz um Sandro Awards, o meu proprio oscar. Ninguem viu. De qualquer maneira vou fazer de novo em 2011. Posto a seguir a lista dos Pre-Indicados. Podendo adicionar ou retirar nomes da lista ate o terceiro mês de 2011, quando deverei postar os indicados. Posso acabar dividindo tambem em sub cartegorias.

Indicados previamente...

Melhor Filme
The Town
Tropa de Elite 2
O Escritor Fantasma
Minhas mães e meu pai
Toy Story 3
A Origem
Scott Pilgrim Contra o Mundo
José e Pilar
A Rede Social
Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
Rabbit Hole
Cisne Negro
A Vida dos Peixes
127 Horas
Como Treinar o Seu Dragão
True Grit
O Vencedor

Melhor performace masculina
Wagner Moura - Tropa de Elite 2
Jesse Eisenberg - A Rede Social
Andrew Garfield - A Rede Social
Rupert Grint - Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
Marco Nanini - A Suprema Felicidade
James Franco - 127 Horas
Jeff Bridges - True Grit
Mark Wahlberg - O Vencedor

Melhor performace feminina
Emma Watson - Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
Julianne Moore - Minhas mães e meu pai
Annette Bening - Minhas mães e meu pai
Marion Cotillard - A Origem
Isabelle Huppert - Copacabana
Rebecca Hall - The Town
Maria Luiza Mendonça - A Suprema Felicidade
Nicole Kidman - Rabbit Hole
Natalie Portman - Cisne Negro
Hailee Steinfeld - True Grit
Amy Adams - O Vencedor
Melissa Leo - O Vencedor

Melhor fotografia
Copacabana
Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
O Escritor Fantasma
A Rede Social
The Town
Rabbit Hole
Cisne Negro
Um Lugar Qualquer
A Vida dos Peixes
127 Horas
True Grit

Melhor Trilha Sonora
Cisne Negro
A Rede Social
O Escritor Fantasma
127 Horas
Como Treinar o Seu Dragão
True Grit

Melhor Direção
Ben Affleck - The Town
David Yates - Harry Potter e as Reliquias da Morte - Pare 1
David Fincher - A Rede Social
José Padilha - Tropa de Elite 2
Roman Polanski - O Escritor Fantasma
Christopher Nolan - A Origem
Darren Aronofsky - Cisne Negro
Ethan Coen, Joel Coen - True Grit
David O. Russel - O Vencedor

Melhor Roteiro
José Padilha, Bráulio Mantovani, Rodrigo Pimentel - Tropa de Elite 2
Roman Polanski, Robert Harris - O Escritor Fantasma
Stuart Blumberg, Lisa Cholodenko - Minhas mães e meu pai
Aaron Sorkin, Ben Mezrich - A Rede Social
Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin - Cisne Negro
Danny Boyle, Simon Beaufoy, Aron Ralston - 127 Horas
Charles Portis, Joel Coen, Ethan Coen - True Grit
Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson, Keith Dorrington - O Vencedor

Melhores Efeitos Visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
A Origem
Scott Pilgrim Contra o Mundo

domingo, 31 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2.

A realidade machuca. Essa é provavelmente a principal lição que se pode tirar de "Tropa de Elite 2". O filme é tão real que agozina o expectador. Bráulio Mantovani e José Padilha escrevem um roteiro sensacional e impecável. Sim, impecável, pois ao contrário do que ocorreu no infinitamente inferior primeiro filme, a narração de Nascimento justifica-se a cada momento. A forma crua e direta como o Capitão Nascimento narra a história só dão mais força aos tapas na cara dados ao longo do filme. O roteiro precisava ser assim.

Quando se mora no Rio de Janeiro, na Zona Oeste, é impossível não sentir o que o filme quer passar. A sensação de impotência é enorme. Vemo-nos muita das vezes representados na tela. Quantas vezes não vi milicianos e policiais da delegacia próxima almoçando no mesmo restaurante, na mesma mesa. "O sistema é foda". Está tudo entrelaçado: Os comerciantes obrigados a pagar taxas aos milicianos, os ex-policias que comandam diretamente o processo, os atuais policiais a quem são subordinados, os políticos que mandam nestes. E nós, nós que estupidamente os elegemos. Vivemos em um coronelismo contemporâneo. Onde por meros dez reais vende-se o voto. Cidadania vendável, triste, não?

Os conflitos de nascimento romanceiam o filme equilibrando sua linguagem, não o tornando pesado demais. Contudo, os problemas pessoais de nascimento acabam dialogando com o foco político principal. O descanso acaba por nos forçar a pensar mais um pouquinho de forma sutil. O conflito entre o capitão e o deputado Diogo Fraga é a prova mais expressiva do último ponto citado.

Destacam-se as atuações brilhantes de Wagner Moura, Irandhir Santos e Maria Ribeiro. André Mattos cumpre o seu papel com excelência sendo um dos principais destaques do filme. A mistura de Wagner Montes e Natalino ficou sensacional. A ponta de Seu Jorge tem lá o seu charme.

O filme é repleto de ironias, as mais óbvias são as nominais, que eventualmente arranca risos dos que conhecem a realidade carioca. "Mira Geral" dando lugar ao "Balanço Geral" de Wagner Montes; "Rio das Rochas" ao invés de "Rio das Pedras"; Deputado "Fraga" substituindo o Deputado Marcelo Freixo. Além é claro dos planos velozes e escuros do governador levando facilmente a confusão com Sérgio Cabral.

Técnicamente impecável, nem tem muito o que se falar sobre isso. José Padilha mostra-se maduro e confiante em suas composições. O foco na política eleva as cenas de ação a um outro nível. Tropa de Elite 2 é provavelmente o filme mais importante da história do nosso cinema. Pois além de entreter questiona o nosso papel como cidadãos e mostra a muitos uma realidade que tentavam não enxergar. É dificil acreditar que se lançado um mês antes o governador Sérgio Cabral e o deputado Wagner Montes seriam eleitos de forma tão expressiva.

O filme é genial como um todo, Padilha está de parabéns. Merece muitos aplausos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Os 10 melhores roteiros originais.

Faz tanto tempo que não faço uma lista... Reparei que eu como neurótico obsessivo que adorava fazer listas e sonha em ser roteirista não tem sequer uma lista de seus roteiros e/ou autores favoritos. Decidi então fazer uma para satisfazer a alma e mostrar-lhes, todos estes roteiros são partes de mim.

1 - Pulp Fiction (Quentin Tarantino, Roger Avary);
2 - Citizen Kane (Orson Welles, Herman J. Mankiewicz);
3 - Dancer in the Dark (Lars Von Trier);
4 - Inglorious Basterds (Quentin Tarantino);
5 - Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen);
6 - Central do Brasil (Marcons Bernstein, João Emanuel Carneiro, Walter Salles);
7 - Les Chansons D'Amour (Christophe Honoré);
8 - Ultimo tango a Paris (Bernardo Bertolucci, Franco Arcalli, Agnès Varda);
9 - The Purple Rose of Cairo (Woody Allen);
10 - Match Point (Woody Allen).

Esta aí, três filmes do Woody e dois do Tarantino, dois dos meus roteiristas e diretores favoritos. Lars Von Trier sempre ousado, Orson Welles e Herman J. Mankiewicz fizeram um clássico, Bertolucci e Honoré seduzem com autênticos filmes franceses. Walter Salles é quem escreveu o argumento daquele que para mim é o melhor filme nacional, Central do Brasil re-acordou o cinema brasileiro, tirou o nosso cinema do anonimato sem nos fazer perder a identidade. Assim que der, porque estou com um pouco de pressa, faço uma lista de roteiros adaptados.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Der Untergang (Post atualizado)

Uma direção impecável e um bom roteiro consolidam o ponto inicial pra este filme grandioso. De Bruno Ganz a Juliana Köler, as atuações estão no tom certo, sem espaço para deslizes. A fotografia é bela e sombria, entrelaçando-se com o filme como um todo. “Queda” mostra o lado dos nazistas em um mundo que se diz aberto a todas as opiniões, mas que condena sem ouvir os dois lados. É claro que não existe filme/livro que justifique tudo que os nazistas fizeram, mas nos aprofundarmos em sua natureza nos mostra que não eram inteiramente monstros. Havia uma explicação ideológica, mesmo que equivocada para nossa sociedade do ponto de vista humanitário. Assim como o recente “O Leitor”, implanta em nossas mentes a dúvida: “E eu? O que eu faria se fosse comigo? Se eu fosse alemão naquela época, o que eu pensaria?”.

Um filme feito para a reflexão, que põe em evidência nosso julgamento e compaixão. Em certo ponto esquecemos até mesmo quem é Hitler e o que ele fez, acompanhando o sentimento da secretária e desejando que ele não se suicide. Quando voltamos a realidade entramos em estado de choque ao nos darmos conta que defendemos mentalmente aquele que é considerado um dos maiores monstros da história da humanidade, mas afinal não é isso que os filmes devem fazer? Nos levar ao delírio, nos tirar da realidade durante um curto período nos levando a acreditar naquele momento no que nos é mostrado?

Ninguém vai defender Adolf Hitler ou o nazismo após ver o filme, mas a visão é clareada, um pouco mais ampla e panorâmica. Conhecer todos os lados de uma história é sempre bom, e considerando isso, posso dizer que o filme deixa isto como uma lição importante para todas as gerações, tanto do ponto de vista humano quanto cinematográfica. “Queda” revela aos desatentos que o que consagra um bom filme não é puramente a história, e sim o ponto de vista sobre ela.

Death Proof


“A Prova de Morte” é mais um daqueles filmes que sobre o olhar peculiar de Tarantino torna-se excelente e “cool”, mas que nas mãos de qualquer outro seria um lixo.

Talvez sejam os planos irresistíveis, ou seus diálogos ácidos e vulgares, quem sabe a tara por pés? Não sabemos o que realmente torna o cinema de Quentin Tarantino tão especial. O que sabemos é que os filmes de Tarantino são sempre incríveis.

Em “A Prova da Morte”, nos é contada: A história de um maníaco ex-dublê e seu carro tão assassino quanto ele, três amigas e uma quase traficante assassinadas pelo personagem de Kurt Russel (O ex-dublê) e seu carro, uma amiga deixada para trás com o borracheiro e três mulheres fenomenais em um dos maiores ápices feministas da história do cinema americano.

É praticamente impossível definir um filme de Tarantino por sua sinopse, ou pela descrição de como se desenrolam os acontecimentos. O charme está em como ocorre, e não no que ocorre. Diria que o filme é dividido em duas partes, a primeira parte é a que dispõe dos melhores diálogos, excessivos as vezes, e da melhor cena do filme: A dança erótica de Albernathy. A cena é muito bem filmada, sendo erótica e ao mesmo tempo desprovida de apelação. A segunda parte é mais ágil, a perseguição das garotas ao “ex-dublê” é sensacional.

A trilha sonora retrô, os defeitos propositais nas imagens (suscetíveis até a pequenas voltas), os pés, o feminismo, o vilão canastrão e a valorização do corpo feminino são as principais e mais perceptíveis características do filme. Uma excelente referência a todos aqueles filmes ruins que vemos nas prateleiras das locadoras. Vemos condensados no filme todo um estilo cinematográfico, ainda assim permanecendo original. O dom de Tarantino é inquestionável, o cara sabe como fazer filmes. Pretensioso ou não, Tarantino é um dos melhores diretores de sua geração, que mais uma vez transforma água em vinho.