sábado, 25 de dezembro de 2010

Ultimos filmes vistos...



All Good Things - 5.5



Sentimento de Culpa - 7.0



Cyrus - 6.0



Rabbit Hole - 7.5



Amores Imaginários - 5.0



Cisne Negro - 7.5

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Film Socialisme

Godard explode em criatividade, dando origem possivelmente ao melhor e mais complexo retrato de nossa sociedade atual. A crítica ao capitalismo fica evidente em todo o seu conjunto, em todos os seus três atos. Mesmo que suas referências nem sempre sejam compreendidas. As técnicas utilizadas são das mais variadas, desde o uso de câmeras de celular até imagens de arquivos. De tom quase documental, o filme é uma reunião de imagens acompanhadas por legendas.

A edição sonora é um de seus grandes destaques, onde Godard mais arrisca (certeiramente como era de se esperar). Os sons mostrados usualmente são muitas das vezes cortados, dando lugar ao som ambiente e aqueles considerados defeituosos, como chiados e barulhos do gênero. Som e imagem se misturam formando uma grande dança audiovisual, sem direito a questionamentos, ou como diria Godard em seus próprio filme: “Sem comentários”. “Film Socialisme” é um filme feito para ser engolido a seco.

Godard quer ver tudo ao mesmo tempo, como em uma grande obra cubista. No primeiro ato, passado em um cruzeiro, vemos uma série de acontecimentos por diversos ângulos e estruturas diferentes, cruzando-se ou não ao longo de seu desenvolvimento. Godard usa de belas imagens e imagens que simplesmente passam o que se deve passar. A beleza da linguagem visual associada a linguagem puramente comunicativa, como que em cento e quarenta caracteres.

O segundo ato é mais familiar, onde se aborda o dinheiro como centro de disputas familiares e a invasão de privacidade. Uma família discute por conta de sua oficina, enquanto uma repórter e uma cinegrafista acompanham tudo, sufocando-os. Godard nesse ato chega ao cúmulo de repetir a mesma cena por ângulos diferentes: O filho mais novo do casal está falando com a cinegrafista e logo após encerrar sua fala, a câmera o pega por outro ângulo começando sua fala repetindo o que acabara de ser dito. Godard é gênio, e faz questão que captemos o que quer dizer, criticando juntamente a própria linguagem em si.

O terceiro ato parece um grande documentário. O tom psicodélico formado pelo cruzamento de imagens torna-se gritante. Em poucos minutos, vemos todo um mundo contemporâneo sobre a ótica de Godard, de forma que é impossível de descrever. Só assistindo.

Film Socialisme é complexo ao extremo, contudo prende a atenção por toda sua extensão, é impossível despregar os olhos dele. Godard re-inventa o cinema mais uma vez. Sinto um novo grande movimento partindo daí, que é do que o cinema anda precisando. Parece que ao contrário do que muitos dizem, Godard provou que ainda existem muitas histórias para serem contadas. E de maneiras bastante peculiares.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

The Town

A maior surpresa do ano, sem dúvida alguma. Descobrimos, boquiabertos, que Ben Affleck é bom diretor. “The Town” tem como principal destaque fotografia e direção, que dão ao filme o ritmo e a tonalidade certos. A cena das “Freiras” é uma das mais majestosas do ano de 2010, lembrando por acidente a enfermeira de Heath Legder em “Cavaleiro das Trevas”. O roteiro funciona, mas poderia ser bem melhor.

O personagem de Affleck é o melhor desenvolvido, obviamente é também o mais vendável, o típico bandido com alma de mocinho, o que acaba por dar certo. Contudo, Jeremy Renner, que vem mostrando cada vez mais competência, tornou seu personagem tão interessante, que sentimos a sua falta sempre que não está na tela. Um personagem forte e bem interpretado que foi mais explorado. Blake Lively funciona através de uma atuação brega, perfeita para a sua personagem. A sempre talentosa Rebecca Hall é brilhante, é ela que todos querem ver na tela. Hall cativa sem ser vulgar.

O filme é cheio dos ingredientes típicos das grandes produções americanas, contudo difere de todas em sua execução. Um filme de fato a cima da média que nos leva a querer que Affleck dedique mais tempo a direção e menos a atuação. Já que ele tem talento, que caia de cabeça.

domingo, 21 de novembro de 2010

Reliquias da Morte - Parte 1

Por que “Harry Potter e as Reliquias da Morte – Parte 1” é o melhor filme da saga Potter? Fácil responder. É de todos, o mais fiel a saga e o que melhor faz a leitura do livro para o cinema. Na questão do roteiro, os erros de “As Relíquias da Morte” estão nos filmes anteriores. O mais evidente é a morte de Dobby, que durante toda a saga tem grande importância, sempre auxiliando Potter e nos filmes apenas aparece na “Câmara Secreta”. Para quem nunca leu os livros a morte de Dobby não surtiu efeito algum, isso porque ao longo da saga insistiram em cortar ou modificar coisas importantes. Mas enfim, deixando o lado pottermaniaco de lado, vamos falar de cinema.

O destaque do enredo está na forma como são tratados os três protagonistas. Finalmente temos a dimensão de suas personalidades, com diálogos e situações bem elaboradas e executadas com maestria pelo diretor e pelos atores, o trio vai além das expectativas, por conta dos personagens e de seus intérpretes. Emma Watson mostra o quanto está madura, revelando o grande potencial para ser uma grande diva do cinema, se inserida no papéis certos. Radcliffe não surpreende, mas cumpre bem o seu papel. Quanto a Rupert Grint, parece que finalmente encontrou o tom de seu Ronald Weasley, além de ter ganho importância e cenas a altura. Roteirista e diretor enxergaram o seu potencial e extraíram seu melhor. Poderia inclusive render uma indicação a academia, quem sabe, sonhar nunca é demais.

O elenco coadjuvante brilha como já é recorrente. Bonham Carter, Rickman, Fiennes, Isaacs e Walters arrasam, tornando seus personagens e únicos e absurdamente fiéis a seus originais das páginas de Rowling, talvez até melhores.

A já citada direção cumpre muito bem o seu papel. Vemos um Yates mais maduro e sensato que nas outras partes da saga dirigidas por ele. As cenas de suspense são um show a parte, as cenas de Godric’s Hollow e da casa dos Malfoy são primorosas. Montagem e fotografia são dignas de destaque. Já a trilha sonora, pela primeira vez passa batida, nem fede e nem cheira. Direção de arte e figurino sempre belos, como em toda a saga.

O grande problema do filme esta no ritmo, que em sua desconexão poderia fazer os mais leigos quanto a saga perderem-se. E é ai que o filme perde toda a sua força e de uma obra-prima torna-se apenas um bom filme.

Há de lembrar-se também da excelente escolha de locações, principalmente nas cenas de florestas, lugares belíssimos, mágicos e ao mesmo tempo reais. Uma grande ironia, diga-se de passagem. Outro grande elogio vai para a cena da história das relíquias. A animação foi sensacional e serviu para descansar os olhos de toda a escuridão da fotografia.

Pela primeira vez um filme da saga Potter agrada fãs e cinéfilos. Melhor ainda, dá um imenso gosto de quero mais, deixando claro que esse é mais do que tudo, um filme de preparação. Que a Parte 2 venha logo, pois já estamos todos esperando. Enquanto isso, acho que vou reler a saga.

sábado, 13 de novembro de 2010

Previa - Sandro Awards 2011 (Atualizado)

No inicio de 2010 fiz um Sandro Awards, o meu proprio oscar. Ninguem viu. De qualquer maneira vou fazer de novo em 2011. Posto a seguir a lista dos Pre-Indicados. Podendo adicionar ou retirar nomes da lista ate o terceiro mês de 2011, quando deverei postar os indicados. Posso acabar dividindo tambem em sub cartegorias.

Indicados previamente...

Melhor Filme
The Town
Tropa de Elite 2
O Escritor Fantasma
Minhas mães e meu pai
Toy Story 3
A Origem
Scott Pilgrim Contra o Mundo
José e Pilar
A Rede Social
Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
Rabbit Hole
Cisne Negro
A Vida dos Peixes
127 Horas
Como Treinar o Seu Dragão
True Grit
O Vencedor

Melhor performace masculina
Wagner Moura - Tropa de Elite 2
Jesse Eisenberg - A Rede Social
Andrew Garfield - A Rede Social
Rupert Grint - Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
Marco Nanini - A Suprema Felicidade
James Franco - 127 Horas
Jeff Bridges - True Grit
Mark Wahlberg - O Vencedor

Melhor performace feminina
Emma Watson - Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
Julianne Moore - Minhas mães e meu pai
Annette Bening - Minhas mães e meu pai
Marion Cotillard - A Origem
Isabelle Huppert - Copacabana
Rebecca Hall - The Town
Maria Luiza Mendonça - A Suprema Felicidade
Nicole Kidman - Rabbit Hole
Natalie Portman - Cisne Negro
Hailee Steinfeld - True Grit
Amy Adams - O Vencedor
Melissa Leo - O Vencedor

Melhor fotografia
Copacabana
Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte 1
O Escritor Fantasma
A Rede Social
The Town
Rabbit Hole
Cisne Negro
Um Lugar Qualquer
A Vida dos Peixes
127 Horas
True Grit

Melhor Trilha Sonora
Cisne Negro
A Rede Social
O Escritor Fantasma
127 Horas
Como Treinar o Seu Dragão
True Grit

Melhor Direção
Ben Affleck - The Town
David Yates - Harry Potter e as Reliquias da Morte - Pare 1
David Fincher - A Rede Social
José Padilha - Tropa de Elite 2
Roman Polanski - O Escritor Fantasma
Christopher Nolan - A Origem
Darren Aronofsky - Cisne Negro
Ethan Coen, Joel Coen - True Grit
David O. Russel - O Vencedor

Melhor Roteiro
José Padilha, Bráulio Mantovani, Rodrigo Pimentel - Tropa de Elite 2
Roman Polanski, Robert Harris - O Escritor Fantasma
Stuart Blumberg, Lisa Cholodenko - Minhas mães e meu pai
Aaron Sorkin, Ben Mezrich - A Rede Social
Mark Heyman, Andres Heinz, John J. McLaughlin - Cisne Negro
Danny Boyle, Simon Beaufoy, Aron Ralston - 127 Horas
Charles Portis, Joel Coen, Ethan Coen - True Grit
Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson, Keith Dorrington - O Vencedor

Melhores Efeitos Visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
A Origem
Scott Pilgrim Contra o Mundo

domingo, 31 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2.

A realidade machuca. Essa é provavelmente a principal lição que se pode tirar de "Tropa de Elite 2". O filme é tão real que agozina o expectador. Bráulio Mantovani e José Padilha escrevem um roteiro sensacional e impecável. Sim, impecável, pois ao contrário do que ocorreu no infinitamente inferior primeiro filme, a narração de Nascimento justifica-se a cada momento. A forma crua e direta como o Capitão Nascimento narra a história só dão mais força aos tapas na cara dados ao longo do filme. O roteiro precisava ser assim.

Quando se mora no Rio de Janeiro, na Zona Oeste, é impossível não sentir o que o filme quer passar. A sensação de impotência é enorme. Vemo-nos muita das vezes representados na tela. Quantas vezes não vi milicianos e policiais da delegacia próxima almoçando no mesmo restaurante, na mesma mesa. "O sistema é foda". Está tudo entrelaçado: Os comerciantes obrigados a pagar taxas aos milicianos, os ex-policias que comandam diretamente o processo, os atuais policiais a quem são subordinados, os políticos que mandam nestes. E nós, nós que estupidamente os elegemos. Vivemos em um coronelismo contemporâneo. Onde por meros dez reais vende-se o voto. Cidadania vendável, triste, não?

Os conflitos de nascimento romanceiam o filme equilibrando sua linguagem, não o tornando pesado demais. Contudo, os problemas pessoais de nascimento acabam dialogando com o foco político principal. O descanso acaba por nos forçar a pensar mais um pouquinho de forma sutil. O conflito entre o capitão e o deputado Diogo Fraga é a prova mais expressiva do último ponto citado.

Destacam-se as atuações brilhantes de Wagner Moura, Irandhir Santos e Maria Ribeiro. André Mattos cumpre o seu papel com excelência sendo um dos principais destaques do filme. A mistura de Wagner Montes e Natalino ficou sensacional. A ponta de Seu Jorge tem lá o seu charme.

O filme é repleto de ironias, as mais óbvias são as nominais, que eventualmente arranca risos dos que conhecem a realidade carioca. "Mira Geral" dando lugar ao "Balanço Geral" de Wagner Montes; "Rio das Rochas" ao invés de "Rio das Pedras"; Deputado "Fraga" substituindo o Deputado Marcelo Freixo. Além é claro dos planos velozes e escuros do governador levando facilmente a confusão com Sérgio Cabral.

Técnicamente impecável, nem tem muito o que se falar sobre isso. José Padilha mostra-se maduro e confiante em suas composições. O foco na política eleva as cenas de ação a um outro nível. Tropa de Elite 2 é provavelmente o filme mais importante da história do nosso cinema. Pois além de entreter questiona o nosso papel como cidadãos e mostra a muitos uma realidade que tentavam não enxergar. É dificil acreditar que se lançado um mês antes o governador Sérgio Cabral e o deputado Wagner Montes seriam eleitos de forma tão expressiva.

O filme é genial como um todo, Padilha está de parabéns. Merece muitos aplausos.