terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Família Wolberg - My French Film Festival.



A transitoriedade da vida pela ótica de Axelle Ropert.

O filme é manso em toda a sua extensão. A fotografia gelada ajuda a entrar na aura do filme, que não possui aqueles grandes momentos, típicos dos filmes enganosos. Através de sua leveza, conhecemos a história da família Wolberg, uma família judia liderada pelo prefeito da cidade. O prefeito patriarca possui relações conflituosas com praticamente todos os membros de seu clã, exceto talvez o filho caçula. E são nesses conflitos que estão as melhores e piores características do filme. Ao mesmo tempo que o sustentam e enfatizam seu tema, falta profundidade. Os personagens passam tão rápido pela história quanto passariam pela nossa vida, é plantada a semente, e essa não é germinada. Uma grande metáfora em relação ao propósito da própria história, contudo, não compensa o conteúdo que se perde. Quem termina de ver "A Família Wolberg", sai com um gostinho de quero mais. Não daqueles que são acompanhados em sequência de um sorriso no rosto, e sim, os que anexam a si um olhar de decepção. De qualquer maneira, é sem dúvida um bom filme dotado de proposta maravilhosa. Pena que não vinga da maneira que deveria.

My French Film Festival



Está rolando um maravilhoso festival de filmes franceses, o "My French Film Festival". Existem 10 filmes em competição. Pretendo ver os 10 e dar aqui a minha nota ao menos. Os filmes parecem deliciosos, e não minto, minhas expectativas são altíssimas. O cinema francês está em uma nova onda, um pouco mais amena que movimentos como "Nouvelle Vague", mas ainda assim bela. O cinema francês é uma de minhas maiores paixões, espero que este sentimento contamine a todos o mais rápido possível. As películas francesas merecem e devem ser vistas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

True Grit.

Eis que em 2010 surge uma obra-prima. Os irmãos Coen enfim criam um filme acima de qualquer gosto pessoal. O filme não só possui uma técnica perfeita como também uma história envolvente e um elenco arrasador.

True Grit, "Bravura Indômita" na tradução brasileira, conta a história da jovem Mattie Ross e suas aventuras ao lado de LaBoeuf e Rooster Cogburn. O pai de Mattie foi assassinado pelo perigoso bandido Tom Chaney. Determinada, Mattie contrata Cogburn, o homem mais bravo da região, para capturar o bandido e ter o seu pai enfim vingado. Em meio a essa trama aparece LeBoeuf, um texano que procura Chaney à tempos por um crime cometido em sua terra. Através de diálogos inteligentes e memoráveis, os irmãos Coen conduzem a história de forma brilhante, de forma bem estruturada, mas ainda assim fugindo do convencional.

Todos os planos são devidamente bem construidos, conectando-se com maestria a fotografia, trilha sonora, figurino etc. A trilha sonora transmite emoção e força na medida em que cada cena precisa, sem deslizes. A fotografia sombria revela uma nova forma de traduzir o clássico espirito do "Velho-Oeste" para as telas. Sem dúvida a fotografia mais original e bem pensada do ano. O figurino, a maquiagem e os cenários dispensam comentários, criam a atmosfera perfeita para o filme.

Hailee Steinfeld é perfeita em sua Mattie Ross, conduz com maturidade uma personagem difícil e cheia de nuances. Seus olhares marcantes e seu tom de voz cheio de escárnio entrarão sem dúvida para as páginas da história do cinema mundial.

Já o Rooster Cogburn de Jeff Bridges é eletrizante. A academia deve estar arrependida, se soubesse, provavelmente teria esperado um ano mais para dar o Oscar a Bridges. Jeff dá brecha para que apareçam os defeitos de Rooster, sem que percamos a admiração por seus feitos. O ator nos leva a sentir o mesmo que Mattie Ross sente no filme, traduzindo uma verdade espantosa.

Matt Damon e Josh Brolin cumprem bem seus papéis, mas não chamam tanto a atenção. Apenas seguem o fluxo maravilhoso que é o filme dos Coen. É difícil não se apaixonar por True Grit, uma grande homenagem a toda uma era de filmes americanos, e ao mesmo tempo uma divina obra contemporânea e atual. É disso que o cinema precisa, obras sem prepotência e maneirismos. Obras que respeitem sua forma e brilhem sem apelos. Perfeito, não há palavra que defina melhor.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Melhores Filmes de 2010.

1 - True Grit
2 - Toy Story 3
3 - Tropa de Elite 2
4 - José e Pilar
5 - Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
6 - Cisne Negro
7 - O Escritor Fantasma
8 - Filme Socialismo
9 - A Rede Social
10 - Como Treinar o Seu Dragão

(LISTA ATUALIZADA)

sábado, 25 de dezembro de 2010

Ultimos filmes vistos...



All Good Things - 5.5



Sentimento de Culpa - 7.0



Cyrus - 6.0



Rabbit Hole - 7.5



Amores Imaginários - 5.0



Cisne Negro - 7.5

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Film Socialisme

Godard explode em criatividade, dando origem possivelmente ao melhor e mais complexo retrato de nossa sociedade atual. A crítica ao capitalismo fica evidente em todo o seu conjunto, em todos os seus três atos. Mesmo que suas referências nem sempre sejam compreendidas. As técnicas utilizadas são das mais variadas, desde o uso de câmeras de celular até imagens de arquivos. De tom quase documental, o filme é uma reunião de imagens acompanhadas por legendas.

A edição sonora é um de seus grandes destaques, onde Godard mais arrisca (certeiramente como era de se esperar). Os sons mostrados usualmente são muitas das vezes cortados, dando lugar ao som ambiente e aqueles considerados defeituosos, como chiados e barulhos do gênero. Som e imagem se misturam formando uma grande dança audiovisual, sem direito a questionamentos, ou como diria Godard em seus próprio filme: “Sem comentários”. “Film Socialisme” é um filme feito para ser engolido a seco.

Godard quer ver tudo ao mesmo tempo, como em uma grande obra cubista. No primeiro ato, passado em um cruzeiro, vemos uma série de acontecimentos por diversos ângulos e estruturas diferentes, cruzando-se ou não ao longo de seu desenvolvimento. Godard usa de belas imagens e imagens que simplesmente passam o que se deve passar. A beleza da linguagem visual associada a linguagem puramente comunicativa, como que em cento e quarenta caracteres.

O segundo ato é mais familiar, onde se aborda o dinheiro como centro de disputas familiares e a invasão de privacidade. Uma família discute por conta de sua oficina, enquanto uma repórter e uma cinegrafista acompanham tudo, sufocando-os. Godard nesse ato chega ao cúmulo de repetir a mesma cena por ângulos diferentes: O filho mais novo do casal está falando com a cinegrafista e logo após encerrar sua fala, a câmera o pega por outro ângulo começando sua fala repetindo o que acabara de ser dito. Godard é gênio, e faz questão que captemos o que quer dizer, criticando juntamente a própria linguagem em si.

O terceiro ato parece um grande documentário. O tom psicodélico formado pelo cruzamento de imagens torna-se gritante. Em poucos minutos, vemos todo um mundo contemporâneo sobre a ótica de Godard, de forma que é impossível de descrever. Só assistindo.

Film Socialisme é complexo ao extremo, contudo prende a atenção por toda sua extensão, é impossível despregar os olhos dele. Godard re-inventa o cinema mais uma vez. Sinto um novo grande movimento partindo daí, que é do que o cinema anda precisando. Parece que ao contrário do que muitos dizem, Godard provou que ainda existem muitas histórias para serem contadas. E de maneiras bastante peculiares.