"Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto" conta a história de dois irmãos que motivados por diferentes motivos, armam assaltar a loja dos pais. O plano dá errado, a mãe dos garotos morre e o pai passa a procurar frenéticamente os responsáveis pela morte da esposa, sem saber que esses são os seus filhos.
O Andy de Philip Seymour Hoffman é o grande mentor do plano executado pelo irmão Hank e um capanga. Enquanto Hank é motivado por razões financeiras fortes, sendo visto como fracassado por sua filha e todos os outros a sua volta, Andy está insatisfeito com a sua vida estagnada ao lado de sua mulher: A belissima Gina Hanson de Marisa Tomei. A moral dos dois irmãos é posta em cheque e a culpa os afeta de formas distintas, nos ajudando a compreender as ações dos personagens. Obra de um grande roteiro, uma cama de gato muito bem armada. A história é deliciosa e inteligente, com diálogos poderosos e situações muito bem pensadas. Tornando-se um incrível excercicio para a cabeça, além de um grande entretenimento.
Mesmo que extremamente impactante, o final é rápido demais, dando a impressão de que foi escrito de última hora. O final quebra ainda mais o ritmo do filme, que é afetado constantemente pela péssima edição e os maneirismos chatos e repetitivos ao retroceder no tempo. Aliás, o jogo magnifico do filme de sempre remeter ao passado pelo ângulo de diferentes personagens perde muito a sua força com esses fracos recursos visuais.
O maravilhoso prólogo do filme só é superado pela cena em que Charles, o pai, vai visitar Nanette, a mãe, no hospital. O "Eu te amo" exclamado por Charles pode ser visto como um dos mais emocionantes e expressivos da história do cinema. É Albert Finney que realiza através de Charles a melhor atuação do filme. O ator tem o poder de apenas com o olhar nos fazer sofrer com os conflitos internos de Charles. Com uma simples alteração de voz sabemos suas intenções para próximos passos, como na cena final.
Contudo, não é só Albert Finney que brilha. No geral, as atuações são excelentes. O único que perde é Ethan Hawke, que exagerado não encontra o tom certo para o seu personagem. Philip Seymour Hoffman e Marisa Tomei são um show a parte, dignos de aplausos.
Visualmente o filme é morno, com fotografia relativamente crua. Mas Lumet consegue manipular tudo que tem nas mãos a fim de nos fazer entrar na história de tal forma, que perdoamos tudo. Jogadas de um grande mestre que sabe como prender o público plano sobre plano. É de se espantar que um diretor de tão longa carreira ainda consiga fazer um filme de tal tamanho. Sidney Lumet honra com vigor sua filmografia com este trabalho imperdível.
sábado, 22 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Bus Palladium - My French Film Festival.

Um filme com uma história absurdamente clichê, Bus Palladium ainda assim consegue diferenciar-se dos outros. A direção tem ai um papel fundamental, que em contato com o elenco bem escolhido e a fotografia cool, dão uma magnífica aura de rock dos anos 60. A história une as duas histórias mais óbvias dentre os filmes do gênero: A garota que gera desavença entre dois membros e o membro que causa tumulto ao se sentir o dono da banda.
Manu é o personagem que rouba a cena, um vocalista genial e problemático. Esse, apaixona-se por Laura ao mesmo tempo que seu amigo Lucas. Manu, Lucas, Philippe, Jacob e Mário possuem uma típica banda sonhadora que vislumbram o sucesso. Na medida em que começam a fazer sucesso, Manu sente-se o dono da banda, irritando a todos. Lucas, que sempre dedicou-se ao máximo a Manu, sente-se fatigado com tudo que já passou com Manu e com os atuais conflitos.
Visualmente belo, com pouco conteúdo. A impresão que fica é: Já vi isso antes.
A Família Wolberg - My French Film Festival.

A transitoriedade da vida pela ótica de Axelle Ropert.
O filme é manso em toda a sua extensão. A fotografia gelada ajuda a entrar na aura do filme, que não possui aqueles grandes momentos, típicos dos filmes enganosos. Através de sua leveza, conhecemos a história da família Wolberg, uma família judia liderada pelo prefeito da cidade. O prefeito patriarca possui relações conflituosas com praticamente todos os membros de seu clã, exceto talvez o filho caçula. E são nesses conflitos que estão as melhores e piores características do filme. Ao mesmo tempo que o sustentam e enfatizam seu tema, falta profundidade. Os personagens passam tão rápido pela história quanto passariam pela nossa vida, é plantada a semente, e essa não é germinada. Uma grande metáfora em relação ao propósito da própria história, contudo, não compensa o conteúdo que se perde. Quem termina de ver "A Família Wolberg", sai com um gostinho de quero mais. Não daqueles que são acompanhados em sequência de um sorriso no rosto, e sim, os que anexam a si um olhar de decepção. De qualquer maneira, é sem dúvida um bom filme dotado de proposta maravilhosa. Pena que não vinga da maneira que deveria.
My French Film Festival

Está rolando um maravilhoso festival de filmes franceses, o "My French Film Festival". Existem 10 filmes em competição. Pretendo ver os 10 e dar aqui a minha nota ao menos. Os filmes parecem deliciosos, e não minto, minhas expectativas são altíssimas. O cinema francês está em uma nova onda, um pouco mais amena que movimentos como "Nouvelle Vague", mas ainda assim bela. O cinema francês é uma de minhas maiores paixões, espero que este sentimento contamine a todos o mais rápido possível. As películas francesas merecem e devem ser vistas.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
True Grit.
Eis que em 2010 surge uma obra-prima. Os irmãos Coen enfim criam um filme acima de qualquer gosto pessoal. O filme não só possui uma técnica perfeita como também uma história envolvente e um elenco arrasador.
True Grit, "Bravura Indômita" na tradução brasileira, conta a história da jovem Mattie Ross e suas aventuras ao lado de LaBoeuf e Rooster Cogburn. O pai de Mattie foi assassinado pelo perigoso bandido Tom Chaney. Determinada, Mattie contrata Cogburn, o homem mais bravo da região, para capturar o bandido e ter o seu pai enfim vingado. Em meio a essa trama aparece LeBoeuf, um texano que procura Chaney à tempos por um crime cometido em sua terra. Através de diálogos inteligentes e memoráveis, os irmãos Coen conduzem a história de forma brilhante, de forma bem estruturada, mas ainda assim fugindo do convencional.
Todos os planos são devidamente bem construidos, conectando-se com maestria a fotografia, trilha sonora, figurino etc. A trilha sonora transmite emoção e força na medida em que cada cena precisa, sem deslizes. A fotografia sombria revela uma nova forma de traduzir o clássico espirito do "Velho-Oeste" para as telas. Sem dúvida a fotografia mais original e bem pensada do ano. O figurino, a maquiagem e os cenários dispensam comentários, criam a atmosfera perfeita para o filme.
Hailee Steinfeld é perfeita em sua Mattie Ross, conduz com maturidade uma personagem difícil e cheia de nuances. Seus olhares marcantes e seu tom de voz cheio de escárnio entrarão sem dúvida para as páginas da história do cinema mundial.
Já o Rooster Cogburn de Jeff Bridges é eletrizante. A academia deve estar arrependida, se soubesse, provavelmente teria esperado um ano mais para dar o Oscar a Bridges. Jeff dá brecha para que apareçam os defeitos de Rooster, sem que percamos a admiração por seus feitos. O ator nos leva a sentir o mesmo que Mattie Ross sente no filme, traduzindo uma verdade espantosa.
Matt Damon e Josh Brolin cumprem bem seus papéis, mas não chamam tanto a atenção. Apenas seguem o fluxo maravilhoso que é o filme dos Coen. É difícil não se apaixonar por True Grit, uma grande homenagem a toda uma era de filmes americanos, e ao mesmo tempo uma divina obra contemporânea e atual. É disso que o cinema precisa, obras sem prepotência e maneirismos. Obras que respeitem sua forma e brilhem sem apelos. Perfeito, não há palavra que defina melhor.
True Grit, "Bravura Indômita" na tradução brasileira, conta a história da jovem Mattie Ross e suas aventuras ao lado de LaBoeuf e Rooster Cogburn. O pai de Mattie foi assassinado pelo perigoso bandido Tom Chaney. Determinada, Mattie contrata Cogburn, o homem mais bravo da região, para capturar o bandido e ter o seu pai enfim vingado. Em meio a essa trama aparece LeBoeuf, um texano que procura Chaney à tempos por um crime cometido em sua terra. Através de diálogos inteligentes e memoráveis, os irmãos Coen conduzem a história de forma brilhante, de forma bem estruturada, mas ainda assim fugindo do convencional.
Todos os planos são devidamente bem construidos, conectando-se com maestria a fotografia, trilha sonora, figurino etc. A trilha sonora transmite emoção e força na medida em que cada cena precisa, sem deslizes. A fotografia sombria revela uma nova forma de traduzir o clássico espirito do "Velho-Oeste" para as telas. Sem dúvida a fotografia mais original e bem pensada do ano. O figurino, a maquiagem e os cenários dispensam comentários, criam a atmosfera perfeita para o filme.
Hailee Steinfeld é perfeita em sua Mattie Ross, conduz com maturidade uma personagem difícil e cheia de nuances. Seus olhares marcantes e seu tom de voz cheio de escárnio entrarão sem dúvida para as páginas da história do cinema mundial.
Já o Rooster Cogburn de Jeff Bridges é eletrizante. A academia deve estar arrependida, se soubesse, provavelmente teria esperado um ano mais para dar o Oscar a Bridges. Jeff dá brecha para que apareçam os defeitos de Rooster, sem que percamos a admiração por seus feitos. O ator nos leva a sentir o mesmo que Mattie Ross sente no filme, traduzindo uma verdade espantosa.
Matt Damon e Josh Brolin cumprem bem seus papéis, mas não chamam tanto a atenção. Apenas seguem o fluxo maravilhoso que é o filme dos Coen. É difícil não se apaixonar por True Grit, uma grande homenagem a toda uma era de filmes americanos, e ao mesmo tempo uma divina obra contemporânea e atual. É disso que o cinema precisa, obras sem prepotência e maneirismos. Obras que respeitem sua forma e brilhem sem apelos. Perfeito, não há palavra que defina melhor.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Melhores Filmes de 2010.
1 - True Grit
2 - Toy Story 3
3 - Tropa de Elite 2
4 - José e Pilar
5 - Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
6 - Cisne Negro
7 - O Escritor Fantasma
8 - Filme Socialismo
9 - A Rede Social
10 - Como Treinar o Seu Dragão
(LISTA ATUALIZADA)
2 - Toy Story 3
3 - Tropa de Elite 2
4 - José e Pilar
5 - Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
6 - Cisne Negro
7 - O Escritor Fantasma
8 - Filme Socialismo
9 - A Rede Social
10 - Como Treinar o Seu Dragão
(LISTA ATUALIZADA)
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
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